quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

.
A Maresia termina aqui.
Continuará, em silêncio, dentro de mim.



quinta-feira, Janeiro 27, 2005

.
A Maresia vai encerrar. Há algum tempo que o pensava fazer, mas só hoje a decisão é definitiva. O objectivo que me levou a iniciar esta partilha está perdido e não faz mais sentido continuar. Talvez renasça noutro local, com outro nome, e com objectivo diferente. Se o fizer tentarei informar aqueles que sempre aqui me acompanharam com o seu estímulo e amizade.
Quero agradecer a todos quantos me leram, e em especial aos que tiveram a delicadeza de deixar algum comentário. Saliento alguns , mas não esqueço todos os que por aqui passaram.
Obrigada Zé, Heloísa, Raquel, Jacky, Lique, Cerejinha, Pedro Camargos ! As vossas palavras ficarão na minha memória.
Voltarei dentro de dias para fechar a porta.

quinta-feira, Janeiro 20, 2005


Foto de Margarida
aqui



Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
destes olhos, e dos choupos,
carregados de sombra e rasos de água.

Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
_ Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos.



Eugénio de Andrade



terça-feira, Janeiro 18, 2005


Foto de Armando Sousa
aqui


Era um sonho, nada mais que um sonho.
Quando lhe julguei tocar, esfumou-se.
Como pode um sonho deixar uma marca tão funda?








quinta-feira, Janeiro 13, 2005

.

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração



António Ramos Rosa


segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Foto de Manuel Vieira


Então de um rumor de mar fiz os teus beijos
-naufrágios do outro lado da espuma-
no ritmo coral dos sonhos e dos desejos.

Então de um instante-chuva fiz as tuas mãos
-cânticos do outro lado das nuvens-
no ritmo tactil das memórias e dos refrãos.


Sandra Costa



quinta-feira, Janeiro 06, 2005


Foto de Ritaard


Pousa a cabeça no regaço do meu sorriso, amor,
e embala-me o olhar numa canção de maresia.
E um no outro, amor,
finalmente adormecemos
num improviso de mar.


Sandra Costa




terça-feira, Janeiro 04, 2005

.
Deita-te aqui comigo de olhos fechados
e de palavras ancoradas
quero que percebas que no mais fundo
e secreto de mim há negrume e silêncio
e como daí - do negrume e do silêncio -
podem nascer as cores e renovar-se a alma
basta que
te deites aqui comigo resumindo a noite
como quando se dorme.



Cláudia Caetano





segunda-feira, Janeiro 03, 2005


Obra de Jorge Lopez Anaya
vista em www.obraporobra.com




Se fecho os olhos e o mundo em mim permanece
não me contento em olhar para ti
e não te poder ter na ponta dos dedos


Sandra Costa



domingo, Janeiro 02, 2005

.

Esta foi a minha melhor prenda de Natal.
Obrigada, Sandra.


Madrugada


No interior a polpa: um nó convulsamente
preso na carne feita para amar
No exterior partículas
tão exactas e puras como um dia. No depois das
paredes
nesse ar que se dissipa
nesse negrume fixo e já disperso
- para sempre encontrado -
o clarão que nos une e já nos leva
entre as horas e os tempos, entre vozes que findam.

A cor o mundo o nome
eternamente nossos.

Nicolau Saião





quinta-feira, Dezembro 23, 2004

.
...
Só quis ser amado.
Só quis amar , através do verso,
só quis em cada poema um leve roçar de penas,
breves carícias que afastassem as nuvens,
que me deixassem viver serenamente,
nas imediações do lago.

Em vão.



J. Agostinho Baptista



terça-feira, Dezembro 21, 2004

.
Esta noite sonhei contigo.
Foi bom voltar a ver-te.


.

sábado, Dezembro 18, 2004

.
...
Meu amor que acendes na lua o teu rosto ferido,
talvez ainda escreva para ti as desesperadas odes
dos marinheiros e dos mendigos,
talvez,
nas pedras do cais onde nunca estarás comigo,
uma ave pouse e murmure o teu nome e,
sob as pesadas nuvens dos anjos caídos,
abra as asas da sua insónia,
da minha saudade,
agora que não há regresso, nem a cálida emoção
dos dedos.


José Agostinho Baptista




terça-feira, Dezembro 14, 2004

.
...
O amor calou-se.
É Dezembro.
Três velas ardem numa janela do litoral.

O farol apagou-se no cabo,
os remos jazem sobre as areias,
os filhos dormem.

É quase a morte.


José Agostinho Baptista




sexta-feira, Dezembro 10, 2004

.
...
Emudeceste.
E no teu silêncio de pedra emudeceram as
paisagens do céu.
Nunca mais foi Verão.

...

Assim é a minha vida.
Hoje,
só os desertos me conhecem. Nada mais.


José Agostinho Baptista




quarta-feira, Dezembro 08, 2004

.
Faltas-me...
Estamos sós, tão sós, e vamo-nos matando um ao outro, em silêncio.


Alexandre Monteiro
aqui



segunda-feira, Dezembro 06, 2004

...
De poucas horas feita a longa vida,
são estas as melhores e as mais justas;
está o filme a acabar, fica comigo até ao fim;
não sabes que te perdes, quando te perdes de mim?



António Franco Alexandre



sábado, Novembro 27, 2004


2046... (filme de Wong Kar Wai)


O amor é uma questão de oportunidade.
Não vale a pena encontrar a pessoa certa, antes ou depois da altura certa.




terça-feira, Novembro 16, 2004

Perdidas as asas do sonho, a Maresia encontra-se temporariamente (?) encerrada.
A todos os que me visitaram e deixaram sinal da sua passagem, o meu muito obrigada.

sexta-feira, Novembro 12, 2004


Foto de Silêncio


Na manhã cinzenta recordo o sol das nossas manhãs
a entrega sem reservas
os corpos pertença um do outro
a imensa paz que depois nos inunda.



terça-feira, Novembro 09, 2004





...Pois basta ver-te
para que nem atine com o que diga
e a língua se me torne inerte
um subtil fogo me arrepia a pele
deixam de ver meus olhos
zunem meus ouvidos
o suor inunda-me o corpo de frio.


Safo

sábado, Novembro 06, 2004


Le baiser de l' Hôtel de Ville (Foto de Robert Doisneau)



Baralho as letras do jornal que tens à frente.
Escolho-as depois, uma a uma, até formar a palavra Ternura.



quarta-feira, Novembro 03, 2004

.
La poésie n'est pas la connaissance de soi-même, encore moins l'éxpérience d'un lointain possible ( de ci qui auparavant n'était pas), mais la simple évocation par des mots de possibilités inacessibles.

Bataille, in "L'impossible"

sexta-feira, Outubro 29, 2004


Foto de Raquel Costa


...Sentamo-nos
no mais longínquo dos quartos, de janelas fechadas, e
abraçamo-nos com um rumor de primaveras clandestinas
com o inverno nos olhos.


Nuno Júdice

segunda-feira, Outubro 25, 2004


Foto de Nelson Silva


Há em todo o teu corpo
uma taça ou doçura a mim destinada.

Quando levanto a mão
encontro em cada lugar uma pomba
que andava à minha procura, como
se te houvessem, meu amor, feito de argila
para as minhas mãos de oleiro.

Os teus joelhos, os teus seios,
a tua cintura,
faltam em mim como no côncavo
duma terra sedenta
a que retiraram
uma forma,
e, juntos,
estamos completos como um só rio,
como um só areal.


Pablo Neruda



sexta-feira, Outubro 22, 2004


ThePromise

...
E, quando surges,
todos os rios marulham
no meu corpo, os sinos
abalam o céu,
e um hino enche o mundo.

Apenas tu e eu,
apenas tu e eu, meu amor,
o escutamos.


Pablo Neruda




quinta-feira, Outubro 21, 2004



Choveu muito de noite. Agora a manhã está azul e fresca, o ar é tão leve que as plantas brilham, cheira a terra molhada e tudo me fala de ti. Bom dia, amor.




quarta-feira, Outubro 20, 2004




Porque nos outros há sempre qualquer nojo
Que me gela e me afasta
E em ti há sempre um pouco de mar largo
Que de olhos cegos atrás de ti me arrasta.


Sophia de Mello Breyner Andresen



segunda-feira, Outubro 18, 2004


TheKiss

Fantasio o teu acordar, o primeiro cigarro, o espreguiçar lento na manhã de chuva.
Imagino-me contigo, o primeiro sorriso, a ternura, um beijo.



sexta-feira, Outubro 01, 2004


Foto de Sam Javanrouh

Vou estar ausente durante alguns dias. Para aqueles que habitualmente me visitam, deixo estas palavras e uma promessa... Vou voltar.
Lembro-me como abri as portas à Maresia, há quase seis meses. Foi uma aposta comigo mesma. " Aposto que não consegues!"... "Vais ver que consigo!"... Consegui.
Não gosto de máquinas. Para instalar os comentários foi um tormento, para as fotos quantas horas e tentativas falhadas.
Ninguém sabe que eu tenho um blog. (Só tu, meu amor!). Quando tive a primeira visita, fiquei surpreendida..."Como sabem que estou aqui?" Quando me deixaram os primeiros incentivos, fiquei contente. Não porque me reconheça algum valor, mas porque é bom ser ouvida.
Agradeço a todos os que por aqui têm passado. A vossa presença ajuda-me a continuar.
Até breve.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?